Mascotes esportivas — o que há de melhor e pior

Mascote Phillie Phanatic em pleno voo
Fonte: Pixabay

A palavra “mascote” vem do francês “mascotte”, que se refere a um amuleto da sorte. A palavra era usada na Inglaterra para ornamentos e talismãs que se pensava trazer sorte para uma casa na década de 1880, e regimentos militares começaram a adotar carneiros, cabras ou outros animais pequenos como mascotes mesmo antes disso. No início do século 20, nos Estados Unidos, equipes esportivas também começaram a usar mascotes animais para “dar sorte à equipe” nos jogos, e hoje muitas pessoas acreditam que essas figuras esquisitas aumentam as chances de vitória de um time.

Assim como alguns entusiastas de cassinos on-line têm um amuleto da sorte acima do computador, ou pessoas usam roupas íntimas da sorte antes de um sorteio da loteria, as mascotes esportivas se tornaram um símbolo em que equipes e torcedores confiam para ter sorte.

Vantagens e perigos de usar animais vivos como mascotes

Um dos primeiros times dos Estados Unidos a ter a própria mascote foi o time de beisebol Chicago Cubs — primeiro com um ursinho de pelúcia e depois com um filhote de urso vivo. No entanto, visto que muitas equipes tiram seus nomes de predadores perigosos, essa moda morreu rapidamente, e nasceu a era das mascotes humanas usando roupas malucas vagamente baseadas em animais.

As primeiras Olimpíadas de Verão a terem uma mascote não oficial, em Los Angeles em 1932, também incluíam um animal vivo: um adorável terrier escocês chamado Smokey. Ele não é reconhecido nos registros oficiais, mas há fotos dele com sua roupa de “Mascote Oficial”.

Em 1968, as Olimpíadas de Inverno em Grenoble estrearam o esquiador sorridente Schuss, e assim nasceu a tendência de criar mascotes que viraram bons brinquedos de merchandising. Hoje em dia, para a maioria das equipes esportivas e dos grandes eventos internacionais, mascotes animais vivas, perigosas ou fofas, são simplesmente imprevisíveis demais.

Ainda há exceções: como os Denver Broncos da NFL, no Colorado, Estados Unidos, que tem como mascote Thunder, um puro-sangue árabe branco. Na verdade, a equipe já está no terceiro Thunder; à medida que cada cavalo envelhece e fica mais pálido, ele é substituído por um cinza idêntico mais jovem.

Um jeito espetacularmente errado de criar mascotes

Às vezes, entre o conceito, a prancheta e a execução, uma roupa de mascote sai errada da pior forma possível. Em 1968, por exemplo, depois que Schuss estreou em Grenoble, a Cidade do México sediou as Olimpíadas de Verão e usou uma pomba e uma onça como mascotes não oficiais; muito bom gosto.

Daí, em 1986, quando o México sediou a Copa do Mundo FIFA, a tradição de mascotes com estilo de desenho animado tomou conta — e a ideia de uma pimenta-jalapenho usando sombrero e as cores da seleção mexicana pareceu ótima no papel. No entanto, o que acabou desfilando no estádio, com os olhos brilhando na sombra de um chapéu que obscurecia seu rosto por completo, era simplesmente assustador.

A África do Sul teve uma decepção semelhante com Zakumi, a mascote da Copa do Mundo FIFA de 2010. O leopardo com dreadlocks verdes tinha um sorriso exagerado quase tão assustador quanto a recém-lançada mascote da Rússia de 2018. Mas, de alguma forma, os Jogos Olímpicos trazem o que há de pior em design de mascotes.

Talvez os mais estranhos de todos tenham sido os personagens “Wenlock e Mandeville” nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012 — que já haviam causado muitas risadas meses antes, quando seu logotipo bizarro foi revelado. Mas a tentativa de dar uma aula de história sobre dois nomes de relevância olímpica se perdeu no furor contra os estranhos ciclopes infláveis que os designers impuseram aos personagens.

Cobi, o cão pastor-catalão cubista inspirado em Picasso que agraciou as Olimpíadas de Verão em Barcelona em 1992, também merece uma menção honrosa. Na verdade, ele tinha um visual muito bom em todo o material impresso — em duas dimensões. Mas os bonecos, brinquedos e grandes versões infláveis — com todas as características em um lado da cabeça, no estilo cubista — deram muito errado.

Os heróis americanos

O time de futebol inglês Arsenal, também conhecido como “The Gunners”, tentou usar um grande dinossauro fofinho chamado Gunnersaurus como mascote. Não querendo ficar para trás, o Valencia, da Espanha, tentou fazer o mesmo truque com um morcego peludo. Parece que fora dos Estados Unidos, quase ninguém nos esportes modernos faz mascotes do jeito certo.

Apesar disso, com mascotes arraigadas em todos os níveis dos esportes dos Estados Unidos, de campeonatos escolares a ligas profissionais, as equipes americanas também erram: veja o caso da mascote Banana Slug, que solta sua gosma amarela para dar sorte às equipes esportivas da Universidade de Santa Cruz…

Mas em muitas equipes profissionais dos Estados Unidos, as mascotes são muito mais do que uma fantasia: são excelentes atletas e acrobatas que aumentam imensamente o prazer da torcida em um jogo. Das familiares e infantis, como o Mr. Met dos New York Mets, com sua cabeça de bola de beisebol, às descontroladamente atléticas, como o adorado ícone do basquete Benny, o Touro, dos Chicago Bulls, as mascotes se tornam elas mesmas grandes estrelas.

Ninguém sabe qual ave que não voa o Phillie Phanatic pretende ser, mas esse cara de olhos grandes sempre faz a multidão enlouquecer com sua língua verde para fora. Ele provavelmente é a mascote moderna que mais dá o que falar.

Parece que, por mais estranhas e malucas (e até mesmo perturbadoras) que algumas mascotes sejam, elas unem as torcidas de uma maneira bem original.

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